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| Aquiles (pintura em vaso grego) |
Fernando
Pessoa escreve, retomando um antigo dito romano, que “Navegar é
preciso; viver não é preciso”. O poeta clama para si
o espírito da frase, que é o seguinte: antes de
tudo – até mesmo da vida –, é necessário criar; tornar a vida grande, de toda a humanidade. É
como se o poeta quisesse se tornar imortal através de seus
próprios feitos, tal qual um herói épico. Este, entretanto, precisa de um aedo que cante em versos sua jornada para que, toda vez que a narrativa
melódica seja entoada, sejam revividos seus feitos, e com
eles sua memória. Porém, Pessoa faz crer que quer se
emancipar da figura do herói para alcançar a
imortalidade. Ele mesmo quer ser o herói. Os feitos não
são mais de Hércules, de Aquiles ou de Odisseu, mas
dele próprio: do aedo da alma que não é pequena.
Mas que
condições levam alguém a crer na ideia, a
princípio paradoxal, de que é preciso abandonar a vida
para alcançar a imortalidade?
